terça-feira, 26 de maio de 2009

uns braços

Não foi nada, e eu sei disso, mas por algum motivo, me marcou.
Lá estávamos nós na frente da padaria. Nós dois e mais no mínimo 5 pessoas. Não era nenhuma situação especial, ele não significava nada para mim ( abertamente. Internamente, ele sempre vai significar algo para mim) e eu não significava nada para ele ( e nunca significarei). Um grupo de amigos conversando distraidamente, todos um pouco bebados, rindo de si mesmos e da situação.
Eu fumava cigarros compulsivamente, de nervosismo. Sua simples presença me faz ruer unhas, fumar cigarros, beber cervejas. Sempre foi assim, e não é do nada que esse habito vai passar.
Ele olhava para minha amiga Sofia, charmosa, graciosa, bonita. Não vou finjir que não sinto inveja dela, sempre conseguindo tudo o que quer, e agora, conseguindo algo de tão grande valor para mim. Ele. Mas não fiquei brava com ela. Não é sua culpa. Ela nao sabe deste meu amor incondicional por ele, e não percebeu suas indiretas. Não é sua culpa. Nem dele. É minha, que não esclareso esse sentimento estúpido dentro de mim para ninguém. Eu sei arcar com as consqüencias de meus atos e sentimentos sem sentido, então sofria em silêncio diante desta situação e discretamente pedia pela sua atenção, o único motivo para eu estar naquele lugar, naquela noite. Sua atenção.
Sofia, discreta, elegante e charmosa como sempre, levantou-se (estavamos sentados no chão, numa roda) e disse as palavras mas queima-filmes possíveis, mas em sua boca e em sua voz, soou bem:
- Estou indo ao banheiro, talvez demore.
Ninguém contestou. Nenhum rosto se contraiu numa risada. Todos lançaram um olhar de compreensão e voltaram a conversar, como se tal anúncio não tivesse sido feito alguns segundos antes.
A atenção dele voltou-se então para mim. Para mim! Eu tinha finalmente conseguido. Nós começamos a conversar à parte do grupo em roda, uma convesa só nossa, um assunto só nosso, sem ser compartilhado com ninguém. Ninguém se intrometeu, talvez por terem ercebido o brilho de felicidade no meu olho, talvez porque nós dois estivessesmos tão entretidos sozinhos em nossa conversa que ninguém se sentiu bem-vindo a compartilha-la conosco (e não eram mesmo!).
Sobre o que falávamos, não me lembro, e não vou inventar um outro possível assunto para não estragar o que aconteceu realmente, no momento real, sabado passado. Só sei que, na hora, foi totalmente adequado seu ato de levantar e se jogar em cima de mim, me beliscando ( e forte!), me deixando imobilizada pela dor, pelo susto e pela secreta felicidade. Quando ele finalmente me soltou, eu disse, sem medo
- Você sabe machucar, não?
E revidei, mais fui vencida por ele e os beliscões voltaram para mim. Protestei novamente e novamente ele me soltou. Dessa vez, não reclamei. Olhei em seus olhos e eles se divertiam. Isso me fez feliz. Alguém da roda comentou, brincando:
- Estão vivos, os dois?
Eu respondi, no mesmo tom de brincadeira, mas com alguma coisa séria no fundo da voz:
- Não! Amanhã eu vou acordar roxa e dolorida graças a esse brutamonte!
Ele fez um olhar assustado e soltou um "desculpas" de braços abertos, em minha direção. Me abraçou. Já tinhamos feito isso antes, nos abraçado. Nunca foi nada mais do que um abraço deveria ser. Mas esse foi.
No inicio, foi normal. Um abraço de reconcilização, dele comigo, seus braços em volta de meus ombros e meus braços abraçando suas costas. Mas o abraço começou a ganhar vida, força, eme começou a me apertar carinhosamente e eu o apertei de volta. E ficamos assim por algum tempo, sem nos dizer nada, nos apertando um nos braços do outro, felizes por estar onde estavamos. Eu, pelo menos, estavam. Quando saimos do abraço - coisa que não foi estranha (raramente agente sai dum abraço desses sem se sentir estranha, e essa foi uma dessas poucas vezes) eu olhei seus olhos de relance e vi que eles me olhavar, felizes, e seus rosto estava aberto num sorriso.
Naquele momento, percebi.
Nós éramos amigos. Bons amigos, para ser mais específica.
E fiquei feliz.

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